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The Revolution Must Be a School of Unfettered Thought

2014
Jakob Jakobsen and María Berríos

O que é uma exposição revolucionária, ou o que pode ser uma exposição revolucionária? Uma máquina de propaganda contra o presente inadmissível? Uma investigação sobre a linguagem experimental da revolução? Aquela que aborda a mudança, que força a mudança ou que é a própria mudança? Levando em conta o recente clamor perante a crise corrente do capitalismo mundial, o ressurgimento da “revolução” como horizonte concreto dá a essas questões uma conotação diferente. Uma exposição revolucionária utiliza os contínuos escombros de revoltas inacabadas. É uma luta com o presente, ao passo que a realidade do presente continua a ser assombrada por ecos históricos.

A ressonância específica explorada em The Revolution Must Be a School of Unfettered Thought [A revolução deve ser uma escola de pensamento irrestrito] é a exposição Del tercer mundo, que aconteceu no Pabellón Cuba, em Havana, em janeiro de 1968. Foi um dos principais eventos públicos do Congresso Cultural de Havana, um encontro de grande escala que tentava articular uma linguagem para a luta internacional contra o imperialismo e rumo à descolonização e libertação do Sul global. O evento, que pretendia trabalhar de modo interdisciplinar e atravessar fronteiras nacionais, reuniu centenas de artistas, escritores, professores de educação física, poetas, cientistas, antipsiquiatras, feministas, militantes do poder negro, dentistas, economistas, filósofos, estudantes e ativistas da maior parte do mundo em uma tentativa de conectar suas lutas e forças revolucionárias.

Como exposição pedagógica, Del tercer mundo desejava mapear e refletir sobre a pauperização contemporânea dos países, além de oferecer um retrato dinâmico da rebelião e da resistência populares. Era uma instalação multimídia total, que aplicava tecnologias audiovisuais inovadoras para criar uma narrativa integrada e sensorial, incluindo animações em néon, história em quadrinhos, outdoors mecânicos animados, mashup de filmes satíricos, dioramas de protesto, efeitos sonoros e três animais vivos (uma lhama e dois leões). A questão não era trazer o museu para o povo, mas usar e transmutar a linguagem da rua em forma de exposição.

Uma exposição revolucionária exige uma linguagem de múltiplas camadas que desafie a própria linguagem. Ela deve ser aberta às colisões destrutivas com o presente e à pauperização em curso dos já despossuídos. Como pesquisadores militantes, compreendeu-se uma transição difícil entre refletir sobre e tornar-se de fato uma exposição revolucionária: não basta reunir conhecimentos em torno de um novo tema; é necessário construir um novo objeto que não possa pertencer a ninguém. – JJ/MB

 

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